
acordei cedo. mais cedo ainda. num sábado. e, sinceramente, eu não sei exatamente o que aconteceu, mas também não vejo motivo pra questionar muito. tem coisas que simplesmente acontecem a favor, e talvez o melhor seja só aceitar. o dia já começou bonito, leve, com aquela mesma luz generosa do dia anterior, como se o lugar tivesse decidido continuar colaborando. e aí não tinha muito o que pensar: dia assim pede praia. então a gente foi.
tentamos ir pra um lado da ilha, mas estava cheio. gente demais, movimento demais, barulho demais. não combinava com o que a gente estava vivendo. então mudamos o plano sem muito drama e fomos pro outro lado. eu, o john e nossos amigos. e, mesmo sendo um lugar que eu já conhecia, parecia diferente. ou talvez fosse eu que estivesse diferente. porque quando a gente desacelera por dentro, até o que já é familiar ganha outro tipo de beleza.
a gente chegou cedo e escolheu um lugar pra ficar. um bar pé na areia, desses que não pedem pressa. pegamos umas poltronas mais confortáveis, quase um lounge improvisado, e ali a gente ficou. entre uma conversa e outra, entre risadas que vinham fácil, sem esforço, a gente foi deixando o dia acontecer. sem roteiro, sem obrigação, sem aquela necessidade constante de fazer alguma coisa produtiva com o tempo. a gente só deixou o dia existir. e, sem perceber, as horas foram passando de um jeito diferente. não arrastado, não corrido. só… no tempo certo.
foi como se o dia não estivesse sendo vivido em blocos, mas em fluxo. sem ansiedade pelo próximo momento, sem aquela sensação de que algo ainda precisa acontecer pra justificar o dia. ele já estava completo do jeito que estava.
no fim da tarde, o corpo pediu uma pausa, e a gente dormiu um pouco. aquele descanso leve, sem culpa, sem despertador, só porque dava vontade. e depois, à noite, saímos pra jantar. e fomos a pé. coisa simples, quase boba, mas que fez um barulho silencioso aqui dentro. fazia tempo que eu não andava sem pressa, sem destino urgente, sem estar indo resolver alguma coisa. só andar porque o caminho faz parte.
o jantar veio no mesmo ritmo do dia. mesa cheia, conversa atravessando os pratos, risadas que se estendiam sem pressa. nada extraordinário no sentido clássico, mas, ao mesmo tempo, tudo muito cheio de significado.
e talvez seja isso que mais ficou do dia. essa percepção de que a vida não precisa estar sempre acelerada, sempre intensa, sempre cheia de acontecimentos pra valer a pena. ela pode correr devagar. ela pode ser calma. pode existir nesses espaços simples, nesses intervalos onde nada grandioso acontece, mas tudo faz sentido.
existe leveza também. e não como exceção, não como um prêmio raro depois do caos. ela existe como possibilidade real. como escolha, às vezes. como consequência de desacelerar, de estar presente, de não exigir tanto do tempo.
hoje não teve urgência. não teve peso. não teve aquela sensação de estar sempre correndo atrás de alguma coisa.
hoje teve só vida. e um sorriso tranquilo que veio quase sem esforço.
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