Autor: enrico pierro

  • dia 96/365.

    a volta sempre chega antes de acontecer. eu já tinha sentido isso no dia anterior, aquela antecipação silenciosa de que o ritmo ia mudar de novo. e mudou. mas não do jeito que eu imaginava. o dia começou cedo, ainda com uma sensação meio misturada do que tinham sido os últimos dias. fui trabalhar, tentei…

  • dia 95/365.

    acordei cedo. mas, dessa vez, diferente dos outros dias, eu me permiti ficar mais um pouco. sem culpa, sem pressa, sem aquela sensação de que eu precisava levantar pra resolver alguma coisa. a gente já tinha combinado: hoje não era dia de sair. era dia de deixar o tempo mais solto, mais leve. era domingo.…

  • dia 94/365.

    acordei cedo. mais cedo ainda. num sábado. e, sinceramente, eu não sei exatamente o que aconteceu, mas também não vejo motivo pra questionar muito. tem coisas que simplesmente acontecem a favor, e talvez o melhor seja só aceitar. o dia já começou bonito, leve, com aquela mesma luz generosa do dia anterior, como se o…

  • dia 93/365.

    sexta-feira. feriado. e, pela primeira vez em dias, semanas talvez, eu senti que o tempo não estava contra mim. chegamos de madrugada em Ilhabela, ainda meio cansados da estrada, mas com aquela sensação silenciosa de “agora foi”. como se, só de ter chegado, alguma coisa já tivesse começado a mudar. e mudou. o dia amanheceu…

  • dia 92/365.

    véspera de feriado costuma ter um gosto diferente. uma mistura de expectativa com urgência, como se o tempo resolvesse correr mais rápido justamente quando você mais precisa que ele desacelere, ou que pelo menos você consiga ter tempo de fazer o que precisa. e hoje nada deu trégua. trabalho acumulando, demandas surgindo em cima da…

  • dia 91/365.

    engraçado como algumas datas passam carregadas de significado pra todo mundo, menos pra gente. primeiro de abril sempre foi esse dia meio bobo, cheio de piadinha bem “tio do pavê”, mentira leve, gente tentando ser engraçada a qualquer custo. só que, dessa vez, passou em branco. eu não vi nada. nenhuma brincadeira, nenhuma tentativa, nenhum…

  • dia 90/365.

    ontem eu não falei, mas alguma coisa começou a desandar. não foi um pensamento específico, nem um problema isolado que eu pudesse apontar com clareza. foi mais sutil e, ao mesmo tempo, mais incômodo do que isso. um aperto no peito que apareceu sem pedir licença e ficou, uma sensação de desencaixe difícil de explicar,…

  • dia 89/365.

    segunda, e a sensação de que o dia conspira contra mim. como se tivesse alguma coisa fora do lugar desde o começo, um ruído baixo que vai atravessando tudo sem se explicar direito. não aconteceu nada grande, nada que justificasse esse incômodo de forma objetiva. foi um acúmulo de pequenas coisas, dessas que isoladamente não…

  • o que precisa morrer em você.

    ninguém gosta da sexta-feira. não dessa. a gente gosta da ideia da ressurreição, da luz, da vitória sobre a morte. gosta do domingo, da esperança restaurada, da sensação de que tudo vai ficar bem no final. mas a sexta-feira da paixão é incômoda, pesada, desconfortável, porque ela não tem milagre, ela tem dor. e talvez…

  • dia 88/365.

    domingo foi lento. daquele tipo que não pede nada, não cobra nada, não exige versão nenhuma de você além da mais simples. eu e o john acordamos sem pressa, ficamos mais tempo do que devíamos na cama, descemos pro almoço ainda meio desligados, como se o dia tivesse começado sem avisar direito. a gente estava…