Categoria: desabafos
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o tempo não cura, ele revela
a gente cresce ouvindo que o tempo cura tudo. mas a verdade é que o tempo, sozinho, não faz milagre. ele não apaga, não corrige, não transforma. o que o tempo faz — e faz muito bem — é revelar. mostrar o que era de verdade. o que foi laço e o que era só…
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você não precisa estar pronto pra começar.
ninguém tá. essa é a verdade que ninguém conta. a gente acha que os outros começaram porque estavam prontos, mas não estavam. eles só foram. com medo, com dúvida, com tudo tremendo por dentro. foram porque esperar demais esgota. porque tentar prever tudo cansa. porque tem horas que ou você se joga, ou se afunda…
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não existe evolução sem atravessar o incômodo.
todo processo de transformação começa com um desconforto. uma sensação de que algo não encaixa mais, que a vida anda apertada, que a alma está pedindo por algo que ainda não tem nome. é um incômodo silencioso no início, mas que vai crescendo. vai invadindo os espaços. vai te fazendo olhar para aquilo que você…
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o que ainda não se encaixou.
às vezes a gente sente uma dor e, além da dor em si, vem junto a frustração de não entender por que aquilo aconteceu. e o problema maior nem é a ferida — é esse vazio ao redor dela, essa tentativa insistente de dar sentido a algo que simplesmente… aconteceu. nessas horas, surgem os porquês.…
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não somos árvores – podemos nos mover.
às vezes, a gente fica parado num lugar que já não faz mais sentido. numa rotina que sufoca, num relacionamento que desgasta, num emprego que só consome. e, mesmo assim, permanece. porque mudar dá medo. dá trabalho. dá insegurança. só que a gente esquece de uma coisa simples: não somos árvores. não temos raízes presas…
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sob pressão.
ninguém cresce na facilidade. eu sei, soa clichê, mas é verdade. é a velha história do diamante e do grafite. feitos do mesmo material, da mesma essência. o que os separa? a pressão. o diamante só existe porque suportou o peso do tempo, o calor sufocante, a transformação inevitável. sem isso, seria apenas um pedaço…
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o que sobra depois.
ninguém fala muito sobre o depois. falam do fim, da dor, do rompimento. mas ninguém fala sobre o que sobra. sobre o que fica ali, espalhado pela casa, pela pele, pelos pensamentos. o depois não é o fim, é a continuação silenciosa dele. é o eco da ausência, o som abafado de tudo que não…
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tem coisa que só o corpo ensina.
você pode ouvir mil vezes que a vida é frágil, que tudo pode mudar de uma hora pra outra, que saúde é o que importa. mas só acredita mesmo quando sente. quando o corpo treme de febre, os ossos doem como se carregassem um passado inteiro e o ar falta. quando até levantar da cama…
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ninguém ensina a voltar.
ninguém ensina a voltar. a sair de um lugar que você nem viu que entrou. a se reconhecer depois de meses (ou anos) sendo o que esperavam de você. a perceber que, em algum ponto do caminho, você se perdeu de si mesmo e não sabe mais onde foi parar. não tem manual pra isso.…
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as vidas que não vivemos.
todo mundo carrega uma mala invisível cheia de versões de si. vidas que não aconteceram, escolhas que não foram feitas, caminhos que ficaram só no quase. a gente segue, mas de vez em quando olha pra trás e se pergunta: e se eu tivesse dito sim? e se eu tivesse ficado? e se eu tivesse…