Categoria: jornal
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o que ainda não se encaixou.
às vezes a gente sente uma dor e, além da dor em si, vem junto a frustração de não entender por que aquilo aconteceu. e o problema maior nem é a ferida — é esse vazio ao redor dela, essa tentativa insistente de dar sentido a algo que simplesmente… aconteceu. nessas horas, surgem os porquês.…
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não somos árvores – podemos nos mover.
às vezes, a gente fica parado num lugar que já não faz mais sentido. numa rotina que sufoca, num relacionamento que desgasta, num emprego que só consome. e, mesmo assim, permanece. porque mudar dá medo. dá trabalho. dá insegurança. só que a gente esquece de uma coisa simples: não somos árvores. não temos raízes presas…
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ser leve não é ser raso.
tem pessoas que entram num ambiente e, sem dizer muita coisa, mudam o ar. gente que sorri com verdade, que escuta com presença, que não se apressa em julgar. são leves. e por serem leves, às vezes são mal interpretadas. confundidas com quem não sente, com quem não pensa, com quem vive na superfície. mas…
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a urgência de viver o agora.
todo mundo acha que vai viver de verdade quando tudo estiver no lugar. quando sobrar tempo, quando vier a calmaria, quando os boletos estiverem pagos, quando a cabeça estiver leve. só que a vida não espera. ela acontece no meio do caos mesmo. no entre. no durante. a gente romantiza o depois e esquece que…
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gentileza que não se exibe.
tem coisa que a gente faz e ninguém vê. e tudo bem. porque a verdadeira gentileza não precisa de testemunha, nem de curtida. ela acontece quando ninguém tá olhando. quando você ajuda sem filmar. quando cede sem querer aplauso. quando se importa sem fazer disso um banner. o mundo anda tão carente de gestos reais…
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sob pressão.
ninguém cresce na facilidade. eu sei, soa clichê, mas é verdade. é a velha história do diamante e do grafite. feitos do mesmo material, da mesma essência. o que os separa? a pressão. o diamante só existe porque suportou o peso do tempo, o calor sufocante, a transformação inevitável. sem isso, seria apenas um pedaço…
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o que sobra depois.
ninguém fala muito sobre o depois. falam do fim, da dor, do rompimento. mas ninguém fala sobre o que sobra. sobre o que fica ali, espalhado pela casa, pela pele, pelos pensamentos. o depois não é o fim, é a continuação silenciosa dele. é o eco da ausência, o som abafado de tudo que não…
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as coisas que não couberam
ninguém vê o que a gente esconde pra caber. o que a gente engole, dobra, silencia. tem partes nossas que foram ficando pelo caminho, porque não encaixavam, porque incomodavam, porque eram demais pra alguém. e, aos poucos, a gente vai se apertando em versões menores de si mesmo, tentando fazer parecer que tá tudo certo.…
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tem coisa que só o corpo ensina.
você pode ouvir mil vezes que a vida é frágil, que tudo pode mudar de uma hora pra outra, que saúde é o que importa. mas só acredita mesmo quando sente. quando o corpo treme de febre, os ossos doem como se carregassem um passado inteiro e o ar falta. quando até levantar da cama…
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ninguém ensina a voltar.
ninguém ensina a voltar. a sair de um lugar que você nem viu que entrou. a se reconhecer depois de meses (ou anos) sendo o que esperavam de você. a perceber que, em algum ponto do caminho, você se perdeu de si mesmo e não sabe mais onde foi parar. não tem manual pra isso.…