Categoria: textos curtos

  • ser leve não é ser raso.

    tem pessoas que entram num ambiente e, sem dizer muita coisa, mudam o ar. gente que sorri com verdade, que escuta com presença, que não se apressa em julgar. são leves. e por serem leves, às vezes são mal interpretadas. confundidas com quem não sente, com quem não pensa, com quem vive na superfície. mas…

  • a urgência de viver o agora.

    todo mundo acha que vai viver de verdade quando tudo estiver no lugar. quando sobrar tempo, quando vier a calmaria, quando os boletos estiverem pagos, quando a cabeça estiver leve. só que a vida não espera. ela acontece no meio do caos mesmo. no entre. no durante. a gente romantiza o depois e esquece que…

  • gentileza que não se exibe.

    tem coisa que a gente faz e ninguém vê. e tudo bem. porque a verdadeira gentileza não precisa de testemunha, nem de curtida. ela acontece quando ninguém tá olhando. quando você ajuda sem filmar. quando cede sem querer aplauso. quando se importa sem fazer disso um banner. o mundo anda tão carente de gestos reais…

  • sob pressão.

    ninguém cresce na facilidade. eu sei, soa clichê, mas é verdade. é a velha história do diamante e do grafite. feitos do mesmo material, da mesma essência. o que os separa? a pressão. o diamante só existe porque suportou o peso do tempo, o calor sufocante, a transformação inevitável. sem isso, seria apenas um pedaço…

  • o que sobra depois.

    ninguém fala muito sobre o depois. falam do fim, da dor, do rompimento. mas ninguém fala sobre o que sobra. sobre o que fica ali, espalhado pela casa, pela pele, pelos pensamentos. o depois não é o fim, é a continuação silenciosa dele. é o eco da ausência, o som abafado de tudo que não…

  • as coisas que não couberam

    ninguém vê o que a gente esconde pra caber. o que a gente engole, dobra, silencia. tem partes nossas que foram ficando pelo caminho, porque não encaixavam, porque incomodavam, porque eram demais pra alguém. e, aos poucos, a gente vai se apertando em versões menores de si mesmo, tentando fazer parecer que tá tudo certo.…

  • ninguém ensina a voltar.

    ninguém ensina a voltar. a sair de um lugar que você nem viu que entrou. a se reconhecer depois de meses (ou anos) sendo o que esperavam de você. a perceber que, em algum ponto do caminho, você se perdeu de si mesmo e não sabe mais onde foi parar. não tem manual pra isso.…

  • as vidas que não vivemos.

    todo mundo carrega uma mala invisível cheia de versões de si. vidas que não aconteceram, escolhas que não foram feitas, caminhos que ficaram só no quase. a gente segue, mas de vez em quando olha pra trás e se pergunta: e se eu tivesse dito sim? e se eu tivesse ficado? e se eu tivesse…

  • vácuo emocional.

    há dias em que não sou capaz de responder a perguntas simples. se alguém me pergunta: “você está bem?”, eu hesito. não porque quero esconder alguma coisa, mas porque simplesmente não sei. não estou triste, nem feliz. não estou nada. apenas existo. há um vácuo dentro de mim. não é vazio, porque o vazio carrega…

  • a quarta é cinza.

    o carnaval é aquele momento em que tudo pode, tudo vale, tudo faz sentido – ou pelo menos a gente finge que sim. quatro dias pra esquecer boleto, chefe chato e toda essa burocracia da vida adulta. quatro dias pra ser quem quiser, pra se jogar na rua, pra beijar desconhecido e dançar até o…