Tag: 2025
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sob pressão.
ninguém cresce na facilidade. eu sei, soa clichê, mas é verdade. é a velha história do diamante e do grafite. feitos do mesmo material, da mesma essência. o que os separa? a pressão. o diamante só existe porque suportou o peso do tempo, o calor sufocante, a transformação inevitável. sem isso, seria apenas um pedaço…
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o que sobra depois.
ninguém fala muito sobre o depois. falam do fim, da dor, do rompimento. mas ninguém fala sobre o que sobra. sobre o que fica ali, espalhado pela casa, pela pele, pelos pensamentos. o depois não é o fim, é a continuação silenciosa dele. é o eco da ausência, o som abafado de tudo que não…
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as coisas que não couberam
ninguém vê o que a gente esconde pra caber. o que a gente engole, dobra, silencia. tem partes nossas que foram ficando pelo caminho, porque não encaixavam, porque incomodavam, porque eram demais pra alguém. e, aos poucos, a gente vai se apertando em versões menores de si mesmo, tentando fazer parecer que tá tudo certo.…
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tem coisa que só o corpo ensina.
você pode ouvir mil vezes que a vida é frágil, que tudo pode mudar de uma hora pra outra, que saúde é o que importa. mas só acredita mesmo quando sente. quando o corpo treme de febre, os ossos doem como se carregassem um passado inteiro e o ar falta. quando até levantar da cama…
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ninguém ensina a voltar.
ninguém ensina a voltar. a sair de um lugar que você nem viu que entrou. a se reconhecer depois de meses (ou anos) sendo o que esperavam de você. a perceber que, em algum ponto do caminho, você se perdeu de si mesmo e não sabe mais onde foi parar. não tem manual pra isso.…
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as vidas que não vivemos.
todo mundo carrega uma mala invisível cheia de versões de si. vidas que não aconteceram, escolhas que não foram feitas, caminhos que ficaram só no quase. a gente segue, mas de vez em quando olha pra trás e se pergunta: e se eu tivesse dito sim? e se eu tivesse ficado? e se eu tivesse…
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vácuo emocional.
há dias em que não sou capaz de responder a perguntas simples. se alguém me pergunta: “você está bem?”, eu hesito. não porque quero esconder alguma coisa, mas porque simplesmente não sei. não estou triste, nem feliz. não estou nada. apenas existo. há um vácuo dentro de mim. não é vazio, porque o vazio carrega…
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não existe meritocracia num país construído sobre desigualdade.
em 1888, o brasil aboliu a escravidão sem oferecer terra, emprego, educação ou qualquer forma de reparação. as pessoas negras foram deixadas à margem — e continuam lá, em grande parte. dizer que “quem quer, corre atrás” é ignorar o ponto de partida. não é sobre esforço. é sobre acesso. quem nasce com estrutura, rede…
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a dor, o silêncio e o milagre
porque a sexta é o dia da perda irreversível. da morte. do fim. e não é só a morte física de alguém, é o símbolo de tudo aquilo que a gente não pode evitar. é o dia em que jesus é traído, humilhado, crucificado — e o que mais mexe com a gente nem é…
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o perigo de sentir demais.
ninguém é complicado demais só porque tem limites. talvez você só tenha aprendido que amor não é favor, que reciprocidade não é gentileza e que sua paz vale mais do que insistir onde não cabe. a gente cresce achando que amar é se moldar. que é bonito se doar, se encaixar, ceder sempre. e de…