Tag: vida
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as coisas que não couberam
ninguém vê o que a gente esconde pra caber. o que a gente engole, dobra, silencia. tem partes nossas que foram ficando pelo caminho, porque não encaixavam, porque incomodavam, porque eram demais pra alguém. e, aos poucos, a gente vai se apertando em versões menores de si mesmo, tentando fazer parecer que tá tudo certo.…
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tem coisa que só o corpo ensina.
você pode ouvir mil vezes que a vida é frágil, que tudo pode mudar de uma hora pra outra, que saúde é o que importa. mas só acredita mesmo quando sente. quando o corpo treme de febre, os ossos doem como se carregassem um passado inteiro e o ar falta. quando até levantar da cama…
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ninguém ensina a voltar.
ninguém ensina a voltar. a sair de um lugar que você nem viu que entrou. a se reconhecer depois de meses (ou anos) sendo o que esperavam de você. a perceber que, em algum ponto do caminho, você se perdeu de si mesmo e não sabe mais onde foi parar. não tem manual pra isso.…
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as vidas que não vivemos.
todo mundo carrega uma mala invisível cheia de versões de si. vidas que não aconteceram, escolhas que não foram feitas, caminhos que ficaram só no quase. a gente segue, mas de vez em quando olha pra trás e se pergunta: e se eu tivesse dito sim? e se eu tivesse ficado? e se eu tivesse…
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vácuo emocional.
há dias em que não sou capaz de responder a perguntas simples. se alguém me pergunta: “você está bem?”, eu hesito. não porque quero esconder alguma coisa, mas porque simplesmente não sei. não estou triste, nem feliz. não estou nada. apenas existo. há um vácuo dentro de mim. não é vazio, porque o vazio carrega…
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fé – mesmo quando tudo desaba.
eu penso muito na minha relação com a fé, e às vezes acho até engraçado. como posso me considerar uma pessoa de fé, se vivo desesperado com as coisas? quanto mais eu me desespero diante de uma situação, mais percebo o quanto minha fé é instável. ou talvez nem exista. porque fé, ao contrário…
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a quarta é cinza.
o carnaval é aquele momento em que tudo pode, tudo vale, tudo faz sentido – ou pelo menos a gente finge que sim. quatro dias pra esquecer boleto, chefe chato e toda essa burocracia da vida adulta. quatro dias pra ser quem quiser, pra se jogar na rua, pra beijar desconhecido e dançar até o…
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o fim da gentileza: quando ser educado se torna um choque.
ser gentil virou um ato revolucionário. em um mundo cada vez mais individualista, a educação assusta. mas em que momento exatamente isso aconteceu? eu me pergunto quando nos desacostumamos com isso. atitudes simples, que deveriam ser regra, viraram exceção. parece que ninguém se importa com nada além de si mesmo. e isso é triste no…
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pai, amor que nunca morre.
sete dias. sete dias sem ouvir sua voz. sem aquele “tudo bem, filhão?” que não era só um cumprimento, mas um abraço em forma de palavras. sete dias sem a certeza de que, aconteça o que acontecer, sempre haveria um porto seguro esperando por mim. dizem que o tempo cura. mas o tempo não sabe…
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pai.
talvez nem tinha sido o primeiro que me viu, nem me segurou. mas assim que os seus braços me encontraram, eles nunca mais me largaram. não no sentido físico, claro, mas na segurança e no aconchego. eu sempre tive o privilégio de ter em seus braços, pai, o meu refúgio. nada poderia ser assim tão…