
Todos nós temos experiências né? Seja o feijão plantado no algodão ou os amores que passam na nossa vida. Se até Newton precisou ver uma maçã cair da árvore para entender a Gravidade, não fique chateado por cair de vez em quando. Às vezes quando a gente cai é que descobre coisas incríveis na vida. E é assim que eu vou descobrindo você.
E vou também entendendo as coisas que temos em comum e diferentes. Tão diferentes né? Você já me falou que não me vê nos bares com teus amigos. Sinceramente, nem eu. Mas também já descobri (sabe como é essa coisa de experiência né?), que uma balada pode ser divertidíssima se estiver na companhia certa. Que uma bebida pode sim dar coragem de se jogar na pista de dança com aquele som super estranho que eu jamais escutaria no carro. Ou em casa. Então te digo: tudo pode acontecer.
Aliás eu acho que nunca vou esquecer o teu perfume. Cítrico. Igual a um que usei há anos atrás. Ele já saiu do meu travesseiro da última vez que estivemos dividindo ele. Veja como as coisas são, eu também dizia que não gostava de dormir de conchinha e caímos no sono abraçados. Literalmente abraçados enquanto conversávamos. E ficamos assim durante horas sem nem que eu acordasse com aquela sensação de que meu braço ia cair. Existe um conforto quando eu estou com você. É aquele abraço que encaixa, sabe? Apertado.
Eu pedi para que você não se arrumasse muito quando saímos na primeira vez. Você tomou um banho mas não passou perfume pra fazer eu me sentir menos mal por estar completamente relaxado aquele dia. Eu não esperava te encontrar. Mas também não esperava me apaixonar pelo teu cheiro. Mas é o teu mesmo, não o fabricado pelos outros que você passa antes de sair de casa. E esse cheiro impregnou meu travesseiro, minhas roupas, minha alma.
“Cadê você”, você me perguntou. Eu ri. Onde eu estava? Ali, do lado, olhando meio com o canto do olho, esperando que todas as tuas dúvidas fossem embora. Esperando que eu fosse o teu esforço, a tua saudade. Esperando que eu fosse aquilo que valia a pena sair de casa em uma sexta-feira à noite ao invés de uma balada qualquer, uma bebida qualquer, uma pessoa qualquer. Mas eu não era. Não era o teu caminho, muito menos o teu atalho, enquanto você era o meu.
E eu vou ali, passeio, saio, bebo achando que vou te encontrar no fundo do copo ou na porta da minha casa. Não posso ver um carro parecido com o teu que já começo a tremer, até olhar a placa. Sim, eu decorei a placa do teu carro pelas vezes em que te segui até a sua casa, ou que estacionei atrás de você, fazendo piadinhas com as letras e buscando combinações que fizessem sentido. Acho que você me fez estacionar na vida. Não que ela não ande, ao contrário, minha vida anda um tornado que vai levando tudo por onde passa, mas você fica.
É um sorriso, uma mistureba de coisas que parece ter gravado no meu cérebro como se fosse uma tatuagem que eu não esperava fazer. Ah, mas a vida é assim né? As coisas mais legais a gente nem estava esperando que acontecesse e de repente estão ali, na sua cara, te levando sem nem pedir licença. Assim como você me arrastou. E depois disse que não era o momento. Não era a época certa pra isso acontecer. Uma pena né? Porque eu só queria que você se sentisse como eu me sinto quando estou com você: infinito. Ok, eu sei que você se sente assim quando está comigo, mas há inúmeros momentos em que você opta por não estar e eu vejo você, ali, com outras pessoas, outros beijos ou outros amores. E eu vou ficando. Vou me distraindo por aí esperando tropeçar em você em um bar ou em um sonho.
Mas vai ver é assim mesmo. A gente vai se apagando das redes sociais e da vida, mas eu ainda não achei a borracha da memória. Tudo passa, não é mesmo? E nós passarinhos.
Hey! Levanta essa cabeça. Não deixa essa tristeza te invadir não. A gente vai ficar bem, eu tenho certeza. Não deu certo. Não era a hora pra você. Nós dois fizemos as nossas escolhas. Você me queria por perto mas não sempre. Eu te queria a todo o momento. Não dava pra continuar enrolando, achando que um dia você ia se cansar de estar por aí e voltaria. Eu não podia mais pautar minha vida pelos momentos em que você me queria, sendo que eu te queria tanto. Eu era uma distração ocasional e estava ali, esperando o dia em que você iria encontrar um outro alguém que fizesse valer a pena tudo o que não valia comigo.
Enquanto isso vou dando corda pra vida esperando que ela se desenrole. Vou acelerando meu carro e escutando a sua música. Tantas músicas. Tantos vícios que você me deu. É o temaki naquela esquina, um cinema, um posto de gasolina, uma rua. E tudo vai ficando assim, meio memória, meio sonho. E agora eu que te pergunto: cadê você?
c.e.
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