você não vai querer conversar comigo no caminho solitário pro trabalho. talvez você vá trabalhando, com o teu email, ocupado como sempre, escutando a nossa playlist, quem sabe. mas não vai me dar bom dia. nem me desejar uma boa semana. na verdade você está sumindo e isso algumas vezes me assusta um pouco. você não foi o amor da minha vida, nem teve tempo pra isso. mas isso não quer dizer que eu não goste de você em todos os pequenos aspectos. o teu tom de voz, por exemplo, é do tipo que eu gosto de ficar escutando. você fala alto, gesticula. intenso, né? é assim que você sempre se definiu. e transparece na tua voz. e eu fico sentado à mesa, escutando você dizer coisas racionais, reclamar do trabalho, então eu fico ali escutando. na minha vez de falar, você sempre completa com: lá vem o Enrico e suas teorias malucas. e ri. e eu fico com vontade de ter mais teorias ainda, só pra te ver dando essa risada.
“Every time you have to go
Shut my eyes and you know
I’ll be lying right by your side
In Barcelona”
mas eu continuo com medo dessa sensação de que você está sumindo. quando eu estava me arrastando pela vida, eu te chamei e te pedi ajuda. mas você nem se deu ao trabalho de responder que não podia. você ignorou, como passou a fazer depois de um tempo. naquela eterna contradição de dizer que gostava de mim demais, que a vida era complicada, que você trabalhava demais. mas eu via as fotos, os bares, os rostos. às vezes até algumas histórias. você ainda estava à procura de algo que eu não te dei, né? ou te dei demais. e agora eu estou encarando o fato de que você está sumindo. de mim. da minha cabeça maluca. e você sabe que o contrário do amor é a indiferença né? eu te dei tudo pra você fazer a diferença, assim como eu tentei. você lembra que cheguei a dirigir por quase uma hora só pra te levar uma cerveja as 22 horas quando você chegava do trabalho porque eu sabia que o dia tinha sido estressante pra você? eu estava me arrastando de cansado, mas tentei fazer a diferença. e o que sobrou? indiferença. hoje eu já não me preocupo como foi teu dia. ou tuas noites de festa. você foi sumindo. continua. vai. parece aquele vento que bate na praia e vai levando a areia devagar e você nem percebe o quanto se foi, até que de repente, ela não está mais lá. acho que está na hora de começar a te dar às boas-vindas à minha indiferença. seja bem-vindo, mas não se sinta muito à vontade não. a vontade ainda passa aos poucos.
“Every time you have to go
I shut my mind and you know
I’ll be lying right by your side
In Barcelona”
música de hoje é do George Ezra – Barcelona.
Comentários
2 respostas a “dia 11”
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Sensação parecida … O amor não é uma via de mão única. ♥️ Poderia ler meu texto no blog Azamoridade http://wp.me/p8ku5L-4i Obrigado!
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