pai, amor que nunca morre.

sete dias. sete dias sem ouvir sua voz. sem aquele “tudo bem, filhão?” que não era só um cumprimento, mas um abraço em forma de palavras. sete dias sem a certeza de que, aconteça o que acontecer, sempre haveria um porto seguro esperando por mim. 

dizem que o tempo cura. mas o tempo não sabe nada sobre o amor. o tempo não entende o que é crescer sob o olhar de um pai que ensina sem precisar levantar a voz. o tempo não sabe o que é carregar no peito a risada dele, o cheiro da roupa, o timbre exato da sua última palavra. 

a verdade é que nada apaga o que ele foi. nada preenche o espaço que ele deixou. a saudade é grande demais para caber em palavras. como se cada célula do meu corpo ainda esperasse por ele. como se eu ainda olhasse para o celular esperando uma ligação que nunca mais vai chegar. 

mas meu pai nunca foi apenas carne e osso. ele sempre foi muito mais. ele foi presença, farol, caminho. ele foi as mãos que seguraram as minhas quando eu ainda não sabia andar, e os olhos atentos que me ensinaram a seguir em frente, mesmo quando o chão parecia desmoronar. 

e ele segue aqui. 

porque meu pai é eterno nos gestos que herdei sem perceber, no jeito que encaro a vida, nos silêncios que falam mais do que mil palavras. ele está nas histórias que contamos, nos sorrisos que arrancou, no bem que fez. ele está na memória de cada pessoa que ele tocou, no coração de quem teve o privilégio de conhecê-lo. 

a verdade é que a morte não é o fim. meu pai não foi embora. ele se espalhou. ele se tornou parte do mundo, parte de mim, parte de tudo. 

hoje, o que nos resta é a saudade. e que saudade imensa. mas se há algo que ele me ensinou, é que a gente segue. 

e eu sigo, pai. mas nunca, jamais, sem você. porque todos os motivos que nos unem sempre serão maiores do que aqueles que podem nos separar. 


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