dia 24/365.



não tem sensação melhor do que se afastar, ainda que temporariamente, de uma parte dos problemas. mas claro, a gente não consegue fugir de tudo. hoje, por exemplo, fez um ano da partida do meu pai. e luto é algo que eu talvez nunca tenha sabido sentir muito bem.

dessa vez foi diferente.

eu não quis ficar na minha cidade. na minha casa. revivendo aquela melancolia que datas assim sempre trazem. isso é inevitável. então sair pareceu a melhor escolha. e foi. não porque a dor desapareceu, mas porque ela não ocupou tudo.

eu falo muito sobre luto. sobre perda. sobre tristeza. e continuo acreditando que certas dores não passam. a gente só aprende a conviver com elas. ainda mais quando se perde alguém tão próximo, tão presente.

mas hoje eu percebi algo simples: a dor muda de lugar. ela não some, mas deixa espaço pra outras coisas. pra distração. pra conversa. pra riso sem culpa.

e talvez seja isso. talvez não seja sobre superar. talvez seja só sobre seguir vivendo sem tentar empurrar a dor pra longe, mas também sem deixar que ela seja a única companhia.

meu pai não se foi completamente. pelo menos não do jeito que as pessoas costumam dizer. ele ainda aparece nos pensamentos, nas referências, nos gestos. próximo. mesmo que distante. ainda mais sendo espírita que sou, eu ainda o sinto muito mais do que nas entrelinhas e sei que ele está sempre ao meu redor.

e, estranhamente, isso já não machuca como antes. hoje, dói de um jeito mais quieto. mais suportável. quase como uma presença que não exige atenção o tempo todo.


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