dia 161/365.



acordei cedo. na verdade eu acordei muito mais cedo do que eu costumo acordar. muito mais cedo do que o normal, sendo que o meu normal já é questionável, porque aos finais de semana eu sempre acordo mais cedo do que durante a semana, o que é uma contradição que eu já parei de tentar entender.

cheguei no trabalho com todo mundo me olhando com cara de surpresa. como se aquilo fosse algo realmente estranho. e ok, na verdade é mesmo. eu confesso.

aproveitei pra colocar tudo em ordem. não que tivesse muita coisa atrasada, mas às vezes é bom organizar a mesa e a vida. parece que o mundo dá uma alinhada melhor quando você faz isso. e pra quem terminou o dia anterior bem preocupado, custava nada tentar fazer algumas coisas diferentes hoje, não é?

o curioso é que o meu trabalho de verdade sempre acontece após o almoço. depois das 14h, 14h30. então chegar muito cedo normalmente só me faz ficar entediado sem ter o que fazer. mas não hoje. eu realmente produzi. e mais curioso ainda foi que eu acabei ficando até tarde. muito tarde.

e aí a vida veio. me deu três tapas na cara e perguntou: entendeu agora?

porque se ontem eu duvidei da fé, hoje ela apareceu. ou respondeu. eu já nem sei direito como nomear. foi como se o tempo tivesse dado uma clareada, o sol tivesse aparecido e a esperança tivesse acenado de um carro passando devagar na rua.

dá pra resolver a vida? não. mas dá pra começar.

e isso já é incrível.

e eu fico pensando no quanto a gente subestima esse movimento. a resposta que não vem quando você quer, mas que aparece quando você para de tentar controlar o momento exato em que ela devia chegar. ontem eu estava preocupado, duvidando, refazendo conta que não fechava. hoje eu cheguei cedo, organizei a mesa, produzi quando achei que não ia produzir, fiquei até tarde quando achei que ia embora cedo.

e a vida colaborou.

não do jeito que eu planejei. nunca é do jeito que eu planejo. mas do jeito que precisava ser. e quando eu olhei pro resultado do dia, com tudo que entrou, com tudo que se moveu, eu me lembrei de uma coisa que eu já sei mas que preciso aprender de novo, sempre, em ciclos, como se fosse a primeira vez.

deus cuida.

não é frase bonita de capa de caderno. é coisa que acontece. às vezes devagar, às vezes tarde, quase sempre diferente do que você esperava. mas acontece. e quando acontece, aquela preocupação toda que você carregou no dia anterior parece pequena. não porque era pequena. era grande, era real, era legítima. mas porque o que veio depois era maior.

ontem eu escrevi sobre fé e duvidei dela enquanto escrevia. hoje eu não preciso escrever sobre fé. hoje eu só preciso registrar que ela funcionou.

de novo.


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