dia 165/365.



domingo. aniversário de criança.

acho que só isso mesmo me tira de casa num domingo. aniversário de criança. não pelo aniversário em si, vou ser honesto. mas porque aniversário de criança sempre tem comida. e a comida de aniversário de criança, a gente sabe, é um universo à parte. tem uma alegria descompromissada naquelas mesas que eu respeito profundamente.

deu uma esquentada no tempo também, o que pra mim foi quase uma benção. eu tenho sofrido muito com o frio. muito mesmo. de um jeito que eu já desisti de tentar explicar pra quem não sente. você ou é de frio ou não é. eu definitivamente não sou.

de noite eu resolvi fazer uma receita nova. peixe com crosta de coco e purê de banana da terra.

o purê ficou a coisa mais gostosa que eu já fiz na minha vida. provavelmente. sério, eu fiquei surpreso comigo mesmo. daquele jeito que você dá a primeira garfada e pensa: espera. eu fiz isso?

o peixe, bem. o peixe é outra história.

a crosta de coco não grudou. ficou aquela coisa solta, sem forma, sem a estrutura bonita do vídeo que eu tinha seguido. e no começo eu fiquei pensando: como pode? no vídeo ficou tão perfeito, tão dourado, tão certinho.

aí eu lembrei de duas coisas.

uma que aprendi gravando um episódio do meu podcast na cozinha de uma amiga. outra que a vida foi ensinando aos poucos.

não acredite nas redes sociais.

porque aquela crosta que eu vi no vídeo, bonita demais, uniforme demais, dourada demais, provavelmente não era bem assim. provavelmente foi ensaiada. editada. talvez nem fosse coco de verdade. a vida real não tem aquela perfeição. nunca tem. e quando parece que tem, é porque alguém trabalhou muito pra esconder o que não deu certo antes de apertar gravar.

e com essa percepção eu me tranquilizei completamente.

porque a minha receita ficou deliciosa. o purê era extraordinário, o peixe ficou gostoso, a crosta solta e tudo. e minha mãe comeu. e comeu bem. e vamos combinar, não é pra isso que eu cozinho?

missão cumprida. com crosta imperfeita e tudo.


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