
fim de mês.
quem tem empresa sabe o que isso significa. não precisa detalhar. é só fim de mês mesmo, com tudo que vem junto, com tudo que depende de você resolver, com aquela sensação de que o calendário virou e trouxe a conta junto.
mas teve coisa boa também. estou montando um escritório novo. uma mudança que estava no horizonte há um tempo e que finalmente começou a tomar forma. o john ficou empolgado com a ideia, e quando o john fica empolgado com alguma coisa, a coisa acontece. tem esse poder nele de transformar plano em movimento, de pegar uma ideia ainda vaga e dar a ela uma urgência que ela não tinha antes.
é bom ter alguém assim do lado.
mas o que ficou mesmo do dia foi a tiamina.
ela é uma fila brasileira. sessenta quilos, braba com todo mundo, dócil com a gente como se fosse um filhote. o nome veio do meu irmão mais velho, que tem esse costume de dar nomes de origem médica pros animais que presenteia. ela chegou como presente dele, e ficou. eu a chamo de babona. é um trocadilho que só faz sentido pra quem a conhece, entre o braba e o babar, porque ela tem o focinho cheio de pele e uma tendência natural a salivar que ela nunca considerou problema nenhum.
eu gosto muito dela.
e hoje ela não estava bem. uma infecção, séria, que vai precisar de cirurgia amanhã com urgência. não é emergência de agora, mas é urgência de amanhã, que é quase a mesma coisa quando você está do lado de fora esperando.
e eu fico pensando no quanto cuidar de um animal de sessenta quilos é uma operação diferente de tudo. não é só amor, é também logística. ir ao veterinário com a tiamina é quase um evento. você planeja, você prepara, você torce pra que ela colabore pelo caminho. e quando ela não está bem, esse peso todo aparece junto com a preocupação.
amanhã ela opera.
eu fui dormir com isso na cabeça. não em pânico, mas com aquela atenção que a gente tem quando alguém que ama está prestes a passar por algo difícil. aquela vigilância quieta de quem não pode fazer nada agora além de esperar e confiar.
ela vai ficar bem. eu preciso acreditar nisso.
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