bastidor: como esse livro nasceu

enrico pierro

carta de domingo · 23 de agosto

oi.

já faz uma semana que “duas da manhã” saiu do papel, e algumas pessoas me perguntaram a mesma coisa de jeitos diferentes: como esse livro nasceu de verdade? hoje, em vez de trazer mais um capítulo, resolvi contar o bastidor. sem capa bonita, sem edição, só o processo cru.

bastidor: como esse livro nasceu.

esse livro não nasceu de um plano. eu não acordei um dia decidindo escrever um ebook confessional, com capítulos organizados e uma capa bonita esperando pra ser feita. ele nasceu de uma sequência de madrugadas em que eu não conseguia dormir, e em vez de ficar rolando na cama brigando com o sono, resolvi escrever o que estava entalado.

a rotina era sempre parecida. eu acordava sem motivo às duas, três da manhã, com a cabeça já ligada antes mesmo de eu me dar conta de que estava acordado. no começo eu tentava voltar a dormir, contava carneirinho, tentava respiração, essas técnicas que todo mundo recomenda. não funcionava. então um dia eu desisti de lutar contra e levantei, peguei o computador, e comecei a escrever o que estava passando pela cabeça, sem editar, sem pensar em pra onde aquilo ia.

mesa de trabalho de madrugada, notebook aberto com a tela acesa, papeis espalhados, caneca de cafe, luz de abajur quente contra um quarto escuro

percebi rápido que aquelas madrugadas tinham um tipo de sinceridade que o resto do dia não tinha. de dia eu edito a mim mesmo o tempo inteiro, escolho o que mostrar, calculo a reação de quem está ouvindo. de madrugada, sozinho, sem plateia, sem compromisso de parecer bem resolvido, eu escrevia coisas que nem sabia que carregava. o cansaço que não aparece na foto. o que eu prometi e não entreguei. a régua que uso pra me medir e que nunca foi minha.

depois de algumas semanas juntando esses textos, olhei pra pilha e percebi que não era só desabafo solto. tinha um fio conectando tudo, e esse fio era exatamente esse horário, essa hora em que a gente para de fingir. foi aí que o livro ganhou nome antes mesmo de ganhar capa.

não sei se madrugada é a hora mais produtiva pra escrever. sei que é a hora mais honesta que eu encontrei até agora. e se alguma coisa aqui te fizer companhia numa madrugada sua, já valeu o sono perdido.

se você também tem uma hora do dia em que fica mais sincero consigo mesmo, me conta. quero saber qual é a sua.

“duas da manhã” já está à venda. se esse bastidor despertou alguma curiosidade, o livro inteiro tá te esperando.

rico


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2 comentários

  1. opa….ja gostei desse livro, madrugada é melhor hora para refletir…. boa madrugada pra nos kkkk bjk no seu coração.

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