dia 216/365.

o dia começou bem.
adivinha o que aconteceu.
meu carro quebrou. de novo. com ele parado. sem fazer nada, sem ser solicitado, sem nenhum estímulo externo que justificasse a decisão. nem precisou fazer esforço nenhum. quebrou por princípio. direção hidráulica, dessa vez, pra variar o repertório. porque ficar no mesmo problema seria monótono e o meu carro claramente não é um ser monótono.
eu já falei da lei de murphy nesse diário. mas existe uma versão dela que eu descobri recentemente e que é muito mais específica pra minha situação. a lady murphy. prima, irmã, sei lá o grau de parentesco exato. o fato é que ela me ama. me abraça com uma regularidade e uma dedicação que eu já aprendi a reconhecer. toda vez que eu acho que o pior passou, ela aparece sorrindo com algo novo embaixo do braço.
honestamente? eu desisti.
não de viver. de brigar com o carro.
o john, que tem um limite de tolerância diferente do meu pra esse tipo de situação, decidiu que vai assumir a frente disso. e foi além: falou que quer me dar o carro dele.
eu recusei. de forma alguma. aquele carro foi ele que me deu, bem ou mal é meu, e tem outros carros aqui em casa pra se virar. não vou aceitar o carro do john só porque o meu decidiu ter uma crise existencial toda semana.
eu já nem sei mais quantos capítulos tem essa novela. mas se for uma série, pelo visto, tem várias temporadas. e o carro claramente assinou contrato de exclusividade com a produtora.
fomos ao consultório do tio do john de noite. ele faz acupuntura e mais um monte de outras coisas que eu não sei nomear mas que respeito profundamente. a missão era ver se consegue dar um jeito numa dor no meu pescoço que me acompanha há meses com aquela fidelidade que eu gostaria de ver em outras áreas da vida.
o resultado? ou conserta ou cai. eu não consigo imaginar um meio termo nessa história. até porque com a sorte que eu ando, o meio termo seria o pescoço ficar torto pra um lado específico que prejudica justamente a direção que eu mais preciso olhar.
mas sejamos otimistas. risos. pra não chorar.
o resto do dia foi uma produtividade suspeita. ajudei o john com um orçamento. atualizei o blog. estudei espanhol, italiano e inglês no duolingo. três idiomas. sou fluente nos três, mas fico estudando porque vocabulário some da cabeça com uma velocidade que eu gostaria que os problemas também tivessem. é ansiedade de viagem disfarçada de estudo. eu sei que é ansiedade. mas pelo menos é uma ansiedade produtiva.
ah, e o evento literário. o lançamento que eu cobriria na segunda que vem. eu sinto, honestamente, que não vai acontecer. amanhã eu confirmo. e talvez agradeça, porque às vezes a melhor notícia é a que libera o espaço que você nem sabia que precisava.
mas isso é amanhã.
hoje eu estudei três idiomas e o carro quebrou parado.
foi uma segunda coerente.
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