dia 217/365.

enrico pierro



o dia fechou bem.

não de um jeito espetacular, não de um jeito que vai virar história. mas bem. daquele jeito quieto em que as coisas dão uma clareada e você percebe que o horizonte está um pouco mais nítido do que estava semana passada.

lembra do tarô? lembra da eulina falando que as coisas iam melhorar, mas que seriam aos poucos? pois é. parece que está acontecendo. aos poucos mesmo. um passo por vez. sem fogos de artifício, sem virada dramática. só o movimento lento e consistente de quem está indo na direção certa.

às vezes é exatamente assim que as coisas chegam. sem avisar, sem fazer barulho. você olha pra trás e percebe que avançou sem ter notado o avanço acontecendo.

hoje foi dia de curso no centro espírita. a aula foi sobre caridade. e em algum momento da discussão eu lembrei de um episódio de friends. aquele em que a phoebe tenta provar que existe um ato verdadeiramente altruísta, sem nenhum benefício pessoal envolvido. e o joey argumenta que não existe. que toda ação boa, no fundo, tem algum retorno pra quem faz. seja a sensação de bem estar, seja o alívio da culpa, seja simplesmente o prazer de ajudar.

eu mencionei na aula. porque a pergunta é a mesma, vinda de lugares completamente diferentes.

o espiritismo responde que a caridade é transformadora justamente porque ela também transforma quem dá. não é egoísmo disfarçado de bondade. é a natureza da coisa. o bem que você faz volta pra você de formas que você nem sempre consegue mapear, mas que chegam. e a phoebe, no final do episódio, descobre que mesmo tentando provar o altruísmo puro, o ato de tentar já lhe trazia satisfação.

joey estava certo. e também estava errado. depende de como você olha. a phoebe concordaria. o joey também. e os dois ainda estariam discutindo isso até hoje se a série não tivesse acabado.

a viagem está chegando. sexta. e eu estou tremendo cada vez mais. não de medo exatamente, mais daquela ansiedade boa que fica no limite entre empolgação e colapso nervoso. já estudei três idiomas no duolingo essa semana. o corpo sabe o que está chegando antes da cabeça admitir.

e hoje no centro teve um momento que eu precisava registrar.

uma mulher que eu não conhecia, quando eu entrei, pensou uma coisa. e depois veio me contar. ela disse que quando me viu entrar, pensou: eu quero ser amiga dele. que eu tenho uma energia, uma vibração maravilhosa.

eu fiquei ali processando isso.

fico feliz ou com medo? ainda estou decidindo. as duas coisas ao mesmo tempo é uma possibilidade que eu não descarto. mas eu gostei dela. tem algo muito bonito em alguém te ver entrar num lugar e decidir, antes de qualquer conversa, antes de qualquer apresentação, que quer estar perto de você.

não é todo dia que acontece isso.

e quando acontece, a gente guarda. ou entra com medida protetiva. depende.


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