Autor: enrico pierro
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dia 14/365.
muita gente reclama da segunda. eu aprendi a reclamar da quarta. porque na quarta, tudo parece distante. o final de semana que passou é uma lembrança. o próximo é uma esperança. mas a vida não acontece só nos finais de semana. e esse é o ponto. não dá pra levar a vida esperando às sextas-feiras.…
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dia 13/365.
como as pessoas enxergam a chuva? quem assistiu aquele filme parasita provavelmente vai entender o que eu quero dizer. ou seja, nada é o mesmo porque tudo depende da ótica de quem vê. da perspectiva. até a chuva. o dia acordou assim, chovendo. meio frio. meio melancólico. aquele tipo de manhã que dá vontade de…
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tudo passa.
tudo acaba. é verdade. tudo mesmo. a vida é finita, e as dores e alegrias também. nada dura para sempre. mas a gente insiste em acreditar que os problemas são eternos, que as dívidas vão se arrastar até o fim dos tempos, que o aperto no peito nunca vai embora. só que tudo tem um…
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a falsa promessa do ínicio de ano (´´ano novo,eu velho).
todo ano é a mesma coisa: janeiro chega com aquela energia de vendedor de curso motivacional. promete mudança, prosperidade, paz interior e um corpo definido que, convenhamos, só aparece na montagem mental que a gente faz. eu sempre caio no golpe. sempre. começo acreditando que, por algum motivo místico, espiritual ou simplesmente teimoso (eu sou…
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como o celular virou um apocalipse portátil.
hoje em dia eu tenho quase certeza de que o celular não é mais um aparelho eletrônico. é um pequeno apocalipse portátil, sempre pronto para explodir na palma da minha mão. porque, sinceramente, notificação não é lembrete: é ameaça. cada vibração é uma microcrise anunciada. às vezes eu penso que viver sem celular seria libertador,…
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tudo passa.
outro dia me disseram que eu mudei. não sei se era elogio ou crítica, mas apenas sorri e segui em frente. não perguntei “para melhor ou para pior?” porque, no fundo, não importa. o mundo também mudou e nem por isso fiquei questionando o mundo. talvez tenha sido ele que me mudou. tanta coisa se…
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dia 12/365.
quanto tempo o tempo tem, se o tempo não soubesse quanto tempo tem? isso deveria ser um diário. será? já nem eu sei. mas um projeto de um texto por dia. e hoje eu fiquei pensando na conversa que eu tive com a isabel. sobre o tempo. e essa frase tem ficado na minha cabeça.…
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dia 11/365.
voltar pra casa também é uma forma de descanso. não o descanso do corpo, mas aquele que encaixa tudo de novo no lugar certo. a viagem foi boa. necessária. deu respiro, deu perspectiva. mas existe algo muito específico em voltar. reconhecer os caminhos. abrir a porta. sentir o cheiro conhecido. deixar a mala num canto…
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dia 10/365.
alguns problemas a gente afoga em água de coco e esconde na areia. deixa as ondas levarem e finge que eles não existem. não por muito tempo, mas por que não por hoje? existem dias que não pedem grandes reflexões. pedem silêncio. calma. um certo acordo temporário com a própria cabeça. não é jogar a…
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dia 9/365.
o dia 9 amanheceu diferente. não porque os problemas desapareceram, mas porque, pela primeira vez em dias, eles não foram a primeira coisa em que eu pensei ao abrir os olhos. no dia anterior, algumas soluções começaram a aparecer. nada milagroso, nada fácil. mas o suficiente pra dar respiro. acordei em ilhabela, sol forte, calor…