Autor: enrico pierro

  • o cansaço que não passa com sono.

    tem um tipo de cansaço que não melhora dormindo. eu até tento: coloco despertador, faço promessa, digo que hoje vou deitar mais cedo, apago as luzes, viro pro lado… e nada. acordo do mesmo jeito: cansado existencialmente, fisicamente, emocionalmente e, o mais brasileiro de todos, cansado tributariamente. porque existe o cansaço normal, aquele que um…

  • dia 58/365.

    dia 58. sexta-feira. mas, na prática, começou na quinta à noite, porque aparentemente alguns dias não respeitam calendário. eu acordei da soneca ainda meio grogue e peguei o celular para ver se o mundo não tinha acabado (mania da minha mãe). a tela, que já estava trincada há um tempo, resolveu evoluir o problema. apagou…

  • dia 57/365.

    quinta-feira. o trailer oficial da sexta. o corredor polonês entre o cansaço acumulado e a promessa ilusória de descanso. hoje acendeu uma luz no trabalho. e não foi curto-circuito. foi luz mesmo. daquelas que fazem a gente olhar pro nada por três segundos e pensar: “será?”. quando a coisa começa a encaixar, quando o telefone…

  • carta para belchior.

    belchior, eu não quero lhe falar das coisas que aprendi nos discos. você já escreveu essa frase antes de mim. e talvez tenha sido a frase que me ensinou que teoria nenhuma substitui a vida acontecendo na pele. eu quero lhe contar como eu vivi. eu cresci ouvindo que a minha geração era diferente. que…

  • dia 56/365.

    se a vida viesse com manual, eu ia ignorar.  ia dizer “relaxa, eu sei montar”.  duas horas depois eu estaria sentado no chão, cercado de peças sobrando, olhando para o teto e fingindo que aquilo faz parte. essa madrugada eu dormi mal. não foi insônia melancólica, foi aquela categoria “cérebro resolveu abrir reunião às 3h17…

  • dia 55/365.

    a terça foi basicamente um braço da segunda. daqueles braços que continuam te segurando pela gola e dizendo “a gente ainda não terminou”. o sono segue me perseguindo como uma entidade espiritual de baixo orçamento. não é um cansaço elegante. é um encosto mesmo. eu acordo e ele já está sentado na beira da cama,…

  • dia 54/365.

    a esse ponto do diário, eu acho que já ficou mais do que evidente que eu não sou exatamente um entusiasta das segundas-feiras, né? no domingo eu dormi o dia inteiro. hoje minha mãe ia pra fábrica mais cedo. e eu fiz o quê? isso mesmo. dormi mais um pouco. porque aparentemente meu corpo entendeu…

  • dia 53/365.

    eu dormi. essa poderia ser a versão resumida do dia. mas como eu sou dramático o suficiente pra transformar até um cochilo em narrativa, vamos elaborar. eu acordei às 6 da manhã. não sei por quê. ninguém me chamou. nenhum compromisso. nenhum barulho. simplesmente acordei, olhei pro teto, pensei “não” e voltei a dormir com…

  • dia 52/365.

    dia 52/365. eu precisava estar em dois aniversários hoje. duas comemorações. dois bolos. dois “parabéns pra você” em tons completamente diferentes. e apenas um de mim. já pesquisei, mentalmente, a possibilidade de clonagem. nada muito ilegal. só algo prático. tipo abrir o guarda-roupa, puxar uma versão minha dobrada ali entre as camisetas e dizer: vai…

  • o peso do fácil.

    às vezes eu me pergunto se as coisas são mesmo tão difíceis assim… ou se é a gente que aprendeu a só enxergar o que pesa. porque o que é fácil passa meio despercebido. não chama atenção, não faz barulho, não provoca crise. o fácil não rende história, nem ocupa espaço demais na memória. e…