Autor: enrico pierro
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dia 62/365.
eu não sei muito bem o que dizer sobre o dia de hoje. foi um dia… razoável. não aconteceu nada extraordinário, nada digno de virar história ou capítulo especial dentro desse pequeno projeto de registrar a vida em 365 pedaços. foi só um dia. os problemas no trabalho continuam. na verdade, continuam exatamente como estavam…
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dia 60/365.
um dia que prometia descanso. relaxar. não pensar muito. como se fosse possível desligar a cabeça com um botão invisível que alguém esqueceu de instalar. almocei com a minha mãe, john, nica, meu irmão, um dos meus sobrinhos e ainda apareceu uma amiga da época de faculdade dele com o filho. foi agradável. daqueles encontros…
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dia 59/365.
acordei no guarujá, no apartamento de amigos. vista bonita, daquelas que fazem parecer que o mundo está exatamente onde deveria estar. céu aberto, mar calmo, luz entrando pela janela como se fosse só mais um sábado comum. mas não era. era um dia marcado. descemos para a marina ainda com aquela sensação de que tudo…
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o cansaço que não passa com sono.
tem um tipo de cansaço que não melhora dormindo. eu até tento: coloco despertador, faço promessa, digo que hoje vou deitar mais cedo, apago as luzes, viro pro lado… e nada. acordo do mesmo jeito: cansado existencialmente, fisicamente, emocionalmente e, o mais brasileiro de todos, cansado tributariamente. porque existe o cansaço normal, aquele que um…
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dia 58/365.
dia 58. sexta-feira. mas, na prática, começou na quinta à noite, porque aparentemente alguns dias não respeitam calendário. eu acordei da soneca ainda meio grogue e peguei o celular para ver se o mundo não tinha acabado (mania da minha mãe). a tela, que já estava trincada há um tempo, resolveu evoluir o problema. apagou…
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dia 57/365.
quinta-feira. o trailer oficial da sexta. o corredor polonês entre o cansaço acumulado e a promessa ilusória de descanso. hoje acendeu uma luz no trabalho. e não foi curto-circuito. foi luz mesmo. daquelas que fazem a gente olhar pro nada por três segundos e pensar: “será?”. quando a coisa começa a encaixar, quando o telefone…
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carta para belchior.
belchior, eu não quero lhe falar das coisas que aprendi nos discos. você já escreveu essa frase antes de mim. e talvez tenha sido a frase que me ensinou que teoria nenhuma substitui a vida acontecendo na pele. eu quero lhe contar como eu vivi. eu cresci ouvindo que a minha geração era diferente. que…
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dia 56/365.
se a vida viesse com manual, eu ia ignorar. ia dizer “relaxa, eu sei montar”. duas horas depois eu estaria sentado no chão, cercado de peças sobrando, olhando para o teto e fingindo que aquilo faz parte. essa madrugada eu dormi mal. não foi insônia melancólica, foi aquela categoria “cérebro resolveu abrir reunião às 3h17…
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dia 55/365.
a terça foi basicamente um braço da segunda. daqueles braços que continuam te segurando pela gola e dizendo “a gente ainda não terminou”. o sono segue me perseguindo como uma entidade espiritual de baixo orçamento. não é um cansaço elegante. é um encosto mesmo. eu acordo e ele já está sentado na beira da cama,…