Autor: enrico pierro
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dia 122/365.
teve gente em casa. a alê passou o final de semana com a gente, e tem uma coisa que eu reparei e que vale registrar: casa com movimento tem uma luz diferente. não é só barulho a mais, não é só pessoas circulando. é algo que muda a textura do ambiente. uma casa que recebe…
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dia 121/365.
eu acordei mais cedo do que num dia de trabalho. isso talvez precise de uma pausa pra ser absorvido. porque é mais ou menos surreal. era feriado. não tinha despertador. não tinha reunião. não tinha nada me esperando no celular pedindo atenção urgente. e mesmo assim eu acordei mais cedo do que num dia normal,…
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dia 120/365.
véspera de feriado. e eu estava feliz. genuinamente. daquele tipo de felicidade meio adolescente, meio ansiosa, que te faz contar as horas como se fossem moedas preciosas. amanhã. amanhã não tem alarme. amanhã não tem reunião. amanhã eu posso simplesmente não fazer nada e ninguém vai cobrar. mas tem uma coisa que eu reparei sobre…
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dia 119/365.
eu olhei pro calendário hoje e levei um susto. não foi um susto bonito, daqueles que vêm acompanhados de epifania. foi outro tipo. foi o susto de perceber que o mês está acabando e que eu, sinceramente, mal vi ele passar. abril foi embora enquanto eu estava ocupado segurando outras coisas. e quando levantei a…
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dia 118/365.
eu acho que existe uma lei cósmica que ninguém escreveu ainda, mas que todo mundo conhece de experiência própria: quando alguma coisa ruim resolve acontecer, ela traz amigos. ela não vem sozinha. ela não respeita seu calendário, não verifica se você está livre, não pergunta se aquele dia ali é um bom momento. ela chega,…
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dia 117/365.
tem dias em que tudo começa a desandar. não é uma coisa só. é várias, ao mesmo tempo, em camadas. um problema no trabalho, uma decisão difícil, uma resposta que não veio, uma conta que apareceu, um cliente que sumiu, alguma coisa que você tinha controlado e que decidiu, sem aviso, voltar a ser problema.…
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dia 116/365.
a vida tem um jeito cruel de te lembrar do que você anda fingindo esquecer. a cida partiu hoje. uma senhora. uma amiga. uma conhecida. e talvez nem importe o rótulo, porque no fim a dor não pede credencial pra entrar. ela só entra. um pouco mais de um mês atrás, descobriu um câncer. hoje,…
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dia 115/365.
acordei tarde. não foi sono. foi cansaço de outra ordem. aquele cansaço que não dorme direito porque não vem do corpo. vem da cabeça, da alma, de algum lugar mais fundo que a gente não tem mapa. você dorme oito horas, dez horas, doze, e acorda com a mesma sensação de que não descansou. porque…
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dia 114/365.
sexta-feira. dia de malabarismo no trabalho. aqueles em que a fé deixa de ser opcional e vira ferramenta. quase um item da caixa de manutenção, junto com chave de fenda, alicate e paciência. você não escolhe usar — usa porque é o que sobrou. e eu ficava pensando nisso enquanto resolvia uma coisa atrás da…
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dia 113/365.
fiquei mais tempo em casa de manhã. não foi decisão muito pensada, foi o corpo pedindo. porque eu ainda não estou bem. de verdade, sem romantizar, sem arredondar. não estou. uma coisa que eu percebi ao longo do dia, e que me assustou um pouco, é que minhas mãos estão tremendo. e não é pouco,…