
fiquei mais tempo em casa de manhã. não foi decisão muito pensada, foi o corpo pedindo.
porque eu ainda não estou bem. de verdade, sem romantizar, sem arredondar. não estou.
uma coisa que eu percebi ao longo do dia, e que me assustou um pouco, é que minhas mãos estão tremendo. e não é pouco, não é aquele tremor quase imperceptível de quem tomou café demais. é presente. constante. o corpo falando o que a cabeça ainda está tentando processar em silêncio.
voltei pra acupuntura. e pras terapias que algumas pessoas olham torto e eu não ligo. o holístico tem essa fama de coisa alternativa, de placebo pra quem acredita em cristal, mas eu sou honesto: tem funcionado. pelo menos pra enxaqueca, que já foi um problema muito maior do que é hoje.
e descobri umas orações de são bento.
não sei explicar direito o que acontece quando eu oro. nunca soube. mas tem alguma coisa que se move por dentro, que acalma, que organiza o que estava bagunçado. a fé sempre foi minha base, isso não é novidade pra quem me lê. mas tem momentos em que ela precisa de forma, de palavra, de ritual. e essas orações chegaram num momento certo e fizeram bem de um jeito que eu não sei racionalizar.
e tudo bem não saber racionalizar.
tem coisas que não precisam de explicação. precisam só de espaço pra existir e fazer o que vieram fazer.
o corpo treme. a alma busca o que a acalma. e a gente vai, do jeito que dá.
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