dia 112/365.



voltei ao trabalho.

e todo mundo perguntou.

e cada vez que eu tentei responder, chorei. de novo. daquele jeito que você acha que já passou, que já secou, e aí alguém faz a pergunta certa, ou errada, dependendo do ponto de vista, e tudo volta.

a dor de perder a zara eu consigo entender. a saudade eu consigo nomear. mas a culpa… a culpa é diferente. ela não tem fundo. você vai cavando pra tentar entender de onde vem e ela só vai ficando mais funda.

eu não consegui protegê-la. ela que já tinha sofrido tanto antes de chegar até a gente, ela que merecia só paz, só carinho, só dias correndo pela chácara com a língua pra fora. ela foi embora de um jeito que eu acho que ela jamais deveria ter merecido. e isso fica. gruda. não pede licença.

e aí eu penso na zara. nela especificamente. naquele jeito dela de voltar pra casa depois de cada dor e abanar o rabo como se nada tivesse acontecido. nela que nunca revidou, nunca guardou, nunca cobrou.

e me pergunto se ela me perdoaria por isso também.

a resposta, no fundo, eu acho que sei. porque ela era assim. ela perdoava tudo, de todo mundo, sempre.

mas saber disso não tira a culpa. às vezes a gentileza de quem foi é exatamente o que mais doi em quem ficou.

eu ainda não sei o que fazer com isso tudo. por enquanto, estou só deixando doer. porque tem dor que não tem atalho. tem que atravessar.


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