dia 111/365.



feriado.

de manhã cedo, o john foi com o pai dele enterrar a zara. perto do lago de casa. um lugar bonito, me disseram. e eu precisava acreditar nisso.

tinha um casamento marcado. e eu sabia, de algum jeito, que se a zara pudesse opinar, ela diria pra gente ir. ela era assim. feliz. do tipo que não segurava ninguém, que abanava o rabo pra tudo e pra todos, que não guardava nada pesado. ela não teria querido que a gente ficasse parado por ela.

então a gente foi.

o casamento era lindo. grandioso, daqueles que impressionam. teve até helicóptero jogando pétalas e flores lá de cima. o tipo de coisa que você olha e pensa: uau.

e eu estava lá.

de corpo, pelo menos.

porque em algum lugar dentro de mim eu ainda sangrava. discretamente, sem fazer barulho, sem estragar nada pra ninguém. mas sangrava. a zara tinha ido embora há menos de 24 horas e esse tipo de coisa não some só porque a vida segue, só porque o dia tem compromisso, só porque existe helicóptero com pétalas no céu.

fiquei pouco. menos do que eu planejava, menos do que eu queria conseguir. tentei. fiz o máximo que eu pude naquele momento. mas tem dias que o máximo que você consegue não é muito. e tudo bem. não precisa ser.

a dor não combina com agenda. ela vai junto, quieta, e fica no seu canto enquanto você tenta. e quando não dá mais pra tentar, ela simplesmente fala mais alto.

eu fui porque a zara teria querido que eu fosse. fiquei o tempo que eu consegui. e carreguei ela comigo o dia inteiro, do jeito que dá pra carregar quem já não está mais aqui.

no coração. que dói, mas que não esquece.


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