dia 98/365.



hoje foi dia 8. quinto dia útil do mês. e, pra mim, isso nunca é só uma data no calendário. é o dia de pagamento. o dia em que tudo precisa fechar, mesmo quando parece que não vai. o dia que, normalmente, já começa pesado antes mesmo de começar.

já faz alguns dias que eu venho tentando ajustar tudo. puxando daqui, empurrando dali, fazendo conta, refazendo cenário, tentando encontrar espaço onde, muitas vezes, parece que não existe. é um tipo de pressão silenciosa, mas constante. daquelas que vão ocupando a cabeça sem pedir licença, que acompanham até quando você tenta descansar.

e hoje não foi diferente.

as coisas não estavam organizadas do jeito ideal, o dinheiro não estava ali sobrando, as contas continuavam existindo do mesmo jeito. e, por alguns momentos, o desespero quase vem. aquele pensamento acelerado, tentando resolver tudo ao mesmo tempo, antecipando problema, criando cenário, aumentando o peso de tudo.

só que, no meio disso, uma outra coisa apareceu.

esses dias eu estava vendo um vídeo meu, desses que a gente grava e, às vezes, nem lembra mais direito. e era sobre como, talvez, deus fale com a gente todos os dias. não de forma óbvia, não com respostas prontas, não com um caminho escancarado. mas em sinais pequenos, em direções sutis, em oportunidades que passam quase despercebidas.

e eu fiquei com isso na cabeça.

quantas vezes eu já pedi uma resposta e ela veio, mas não do jeito que eu esperava? quantas vezes eu já tive um caminho diante de mim e ignorei, porque não parecia “grande” o suficiente? quantas vezes o desespero falou mais alto e eu simplesmente não consegui ouvir?

porque, sendo honesto, o desespero faz barulho. ele atropela, ele ocupa espaço, ele não deixa muito espaço pra mais nada. e talvez não seja que eu esteja sem resposta. talvez eu só esteja ouvindo a coisa errada.

o dia continuou difícil. não teve milagre acontecendo na minha frente, não teve solução mágica aparecendo. as contas continuaram ali, a pressão continuou existindo, a responsabilidade não diminuiu.

mas alguma coisa mudou na forma como eu estava ali dentro.

eu comecei a prestar mais atenção. não em tudo ao mesmo tempo, não tentando controlar cada detalhe, mas nos pequenos sinais. nas possibilidades que apareciam, nas conversas, nas decisões que eu precisava tomar. como se, ao invés de só reagir ao problema, eu começasse a observar mais o que estava acontecendo ao redor dele.

e isso muda.

não resolve tudo. não tira o peso. mas muda a forma como eu caminho dentro disso.

no fim do dia, nem tudo estava perfeito. longe disso. mas também não estava perdido. e talvez seja esse o ponto. talvez a resposta não venha como a gente espera. talvez ela não venha inteira, pronta, resolvida. talvez ela venha em partes, em sinais, em direções que a gente só percebe quando diminui o barulho dentro da própria cabeça. e, se for assim, o desespero não ajuda em nada. eu preciso começar a prestar atenção.


Comentários

Deixe um comentário