
compras são fugas? ou melhor… compulsões, no geral, são? eu fiquei com isso na cabeça hoje, mas não como uma ideia solta. foi mais direto. mais pessoal.
porque hoje eu comprei. e nem foi online, não foi aquele clique meio automático que você faz sem perceber. foi físico. eu estava ali, andando, escolhendo, pegando, passando no caixa. presente de verdade. e, em algum momento, me veio essa pergunta: será que eu estou fugindo de alguma coisa?
porque a sensação vem. aquele alívio rápido, quase imediato, como se por alguns instantes tudo ficasse mais leve, mais organizado. parece que a cabeça ganha um foco, um respiro. só que dura pouco. sempre dura pouco. e aí sobra uma sensação meio estranha. não chega a ser arrependimento, mas também não é exatamente satisfação.
e aí a pergunta muda de lugar.
não é mais sobre a compra. é sobre o que eu estava tentando não sentir naquele momento.
porque fugir não é sempre sair correndo. às vezes é só desviar. trocar um desconforto por uma distração que parece mais fácil de lidar. e isso não acontece de forma consciente. a gente não decide fugir. a gente só vai.
só que, pensando melhor, talvez não seja só isso.
talvez eu não estivesse fugindo de algo ruim. talvez eu estivesse fugindo de algo bom. porque, nos últimos dias, eu senti uma melhora. uma leveza diferente, uma sensação de que as coisas estavam começando a se encaixar de novo. e aí vem uma dúvida meio incômoda: será que, de algum jeito estranho, eu tentei me sabotar?
como se ficar bem demais fosse perigoso. como se fosse preciso criar algum tipo de ruído pra voltar pro lugar conhecido.
é uma teoria meio injusta comigo mesmo, eu sei. mas também não é totalmente absurda.
porque quando a gente passa muito tempo vivendo sob pressão, o desconforto vira padrão. vira referência. e o oposto disso, por mais que seja desejado, também pode parecer estranho. quase como se a gente não soubesse exatamente o que fazer quando as coisas começam a dar certo.
e aí entra a parte mais difícil.
talvez não seja sobre a compra em si. nem sobre julgar o que eu fiz. talvez seja sobre perceber o momento em que eu estou tentando preencher alguma coisa… que não tem relação nenhuma com o que está na minha mão.
eu não sei se foi fuga. não sei se foi sabotagem. não sei se foi só um dia comum que eu estou analisando demais.
mas a pergunta ficou.
o que eu estava tentando resolver… sem perceber?
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