
sexta-feira. tinha muita coisa pra fazer. muita coisa mesmo.
o meu corpo, evidentemente, não estava nem aí.
acordei com aquele sono que não é cansaço. é diferente. é uma letargia que gruda, que pesa, que faz você olhar pra lista de coisas pra resolver e pensar: tá, mas e se não? e aí você se levanta do mesmo jeito porque não tem essa opção, mas a pergunta ficou no ar.
deve ser alguma gripe encubada. daquelas que o corpo trava em silêncio, sem se comprometer com nada, sem ter a decência de virar uma febre decente pra você poder justificar o dia de cama. fica ali nesse meio termo inconveniente. presente o suficiente pra atrapalhar, discreto o suficiente pra você não poder reclamar com convicção.
e olha, eu já falei sobre isso antes. sobre a saúde que só aparece quando falta. quando está tudo bem ela é invisível, não faz barulho, não pede atenção. e quando começa a dar sinal, ainda que pequenininho, ainda que quase imperceptível, o dia inteiro muda de peso.
mas a sexta não se importou com nada disso.
as coisas continuaram lá. esperando. e eu precisava seguir porque tem coisas que dependem de mim e eu não consigo simplesmente deixar na mão. não é um superpoder, não é disciplina de manual de autoajuda. é só que eu olho pra essas coisas e não consigo fazer diferente.
fui. devagar, talvez. com menos energia do que eu queria. mas fui.
não fiz tudo. seria mentira dizer que sim. mas segurei o que precisava ser segurado, e a semana não desmontou.
às vezes é isso. não desaparecer completamente já conta.
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