dia 186/365.



dia 186/365

brasil jogou hoje. copa do mundo. contra a noruega.

dizem que historicamente o brasil nunca ganhou da noruega. o máximo que conseguiu foi empatar. eu ouvi isso e pensei: interessante. e voltei pra minha pipoca.

porque eu não sou do futebol. nunca fui. posso ter nascido no país errado, geograficamente falando, porque essa coisa de um monte de gente correndo atrás de uma bola nunca me atraiu de nenhuma forma que eu consiga explicar. já tentei. de verdade, já tentei.

quando pequeno eu fiz futebol society por um tempo. jogava na zaga. não por vocação, provavelmente por exclusão. e na zaga eu chutava qualquer coisa que viesse na minha direção, com uma determinação inversamente proporcional à minha técnica. no ataque era pior. eu ficava do lado do gol, praticamente apoiado na trave, esperando a bola chegar até mim como um presente. e quando chegava, eu conseguia errar. não sempre, mas com uma frequência que não deixava dúvida sobre o meu futuro no esporte.

em algum momento alguém deve ter percebido. talvez um técnico, talvez um colega, talvez o próprio universo dando um sinal. e acho que foi mais ou menos assim que eu voltei minha atenção pros livros. que foi, claramente, uma decisão muito melhor pra todo mundo envolvido.

mas enfim. tinha sobra da festa junina do dia anterior, e o john estava feliz com o vinho quente na mão. ele não bebe normalmente, mas vinho quente com muito açúcar e frutas é outra conversa. é basicamente uma sobremesa líquida, e nesse formato ele não questiona muito. ficou lá, satisfeito, completamente alheio ao fato de que tinha um jogo de futebol acontecendo na televisão.

eu, que não bebo e não tenho nenhuma relação afetiva com vinho, quente ou frio, voltei pra minha pipoca. que é, convenhamos, uma escolha muito mais honesta pra quem está fingindo assistir futebol numa tarde de domingo.

no final o brasil perdeu.

o sonho acabou. o país vai voltar ao normal. seja lá o que o normal queira dizer depois de uma copa do mundo que mobilizou todo mundo menos eu e o john, que estávamos aqui, no sofá, cada um no seu canto, completamente alheios ao drama nacional.

e foi um domingo muito bom, na verdade.


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