dia 187/365.



segunda-feira. e eu comecei ela mole.

não o mole de preguiça, que eu conheço bem e que tem uma qualidade própria. esse era outro. era o mole de corpo que não colabora. uma mistura de gripe com sinusite que eu ainda não sei bem o que é exatamente, mas que instalou no meu organismo com aquela segurança de quem chegou pra ficar um tempo.

trabalhei do mesmo jeito. não porque sou inabalável, já provamos que não sou, mas porque a segunda não pergunta se você está bem antes de começar. ela só começa.

e no meio do dia eu fui buscar o carro na oficina.

de novo.

e enquanto eu dirigia de volta, com o nariz entupido e a cabeça pesada, pensei que eu e esse carro temos mais em comum do que eu gostaria de admitir. os dois saímos da oficina essa semana. os dois estamos funcionando, mas com ressalvas. os dois temos pendências que ainda precisam de atenção. os dois continuamos em movimento mesmo sem estar exatamente no nosso melhor.

a diferença é que o carro pelo menos não precisa trabalhar enquanto está se recuperando.

eu me perguntei, mais uma vez, se essa seria a última visita à oficina por um tempo. a resposta honesta é que eu não sei. e essa incerteza me parece familiar de um jeito que vai além do carro.

será que é a última vez? tomara. mas a vida tem me ensinado a não apostar muito nessas promessas que a gente faz pra si mesmo na segunda-feira com sinusite.

por hoje, cheguei em casa. carro na garagem, eu no sofá. os dois descansando. os dois esperando amanhã ser melhor.


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