
acordei às 7h.
era sábado. não havia motivo nenhum pra isso. mas o meu corpo, que claramente não leu o calendário, decidiu que 7h era uma hora razoável pra começar o dia independente do que eu achasse sobre o assunto. o john acordou junto, porque ele sempre acorda junto comigo nesses casos, que é uma solidariedade que eu não pedi mas que aprecio.
tomamos café e decidimos aproveitar o dia cedo.
fomos com minha mãe numa loja de produtos chineses muito baratos. a missão era simples: um carregador portátil. saímos com uma sacola maior do que a minha dignidade e sem saldo no cartão de crédito. não sei bem como isso acontece, mas acontece sempre.
minha mãe precisava de tecido. foi numa loja próxima, uma dessas especializadas. aproveitei e comprei um protetor impermeável de colchão, jogo de lençóis e toalhas de banho. porque quando você está numa loja de tecidos, faz todo o sentido sair com roupa de cama. lógica própria das compras.
atravessamos a rua e fomos num mercadinho de produtos encalhados. sabe aquelas coisas que ficam meses na prateleira do supermercado grande e eventualmente migram pra um lugar onde alguém vai achar que é pechincha? eu adoro esse lugar. tem uma sensação de tesouro escondido que me agrada profundamente. e o que vai direto pra minha geladeira ou despensa eu considero uma vitória pessoal.
ainda deu tempo de um mercado de verdade pra pegar o que faltava da semana.
quatro paradas. minha mãe satisfeita, o carregador comprado, a casa abastecida e o cartão de crédito em estado de choque.
depois almoçamos no clube. voltamos pra casa e tiramos uma soneca, que é o único uso correto de uma tarde de sábado de inverno, ainda que estivesse levemente calor, mas também não vamos exagerar, eu ainda estava com frio.
de noite eu cozinhei.
entrecôte com molho de cogumelo porcino e trufas e batatas noisettes. ficou simplesmente delicioso. daquele jeito que você prova e pensa que talvez tenha mais talento do que imagina, mas prefere não falar alto pra não pressionar as próximas tentativas.
um casal de amigos jantou com a gente. eu, o john, eles e minha mãe. mesa cheia, comida boa, conversa que foi até tarde.
teve dias melhores na minha vida? provavelmente. mas esse foi exatamente o tipo de dia que a gente precisa de vez em quando. sem drama, sem peso, sem nada que pedisse mais do que estar presente e aproveitar.
e eu aproveitei.
Deixe um comentário