
segunda-feira tranquila. incrível, eu sei. anota aí porque não acontece sempre.
mas o que ficou do dia foi uma coisa pequena. dessas que não merecem parágrafo longo mas que dizem bastante sobre como eu funciono.
alguém veio me contar uma fofoca.
eu não vou entrar em detalhe do que era, porque honestamente eu mal prestei atenção suficiente pra guardar. era sobre alguém que não faz parte do meu círculo próximo, sobre alguma coisa que não afeta minha vida em nenhum aspecto mensurável, sobre um assunto que, mesmo que eu soubesse de tudo com riqueza de detalhes, não mudaria nada na minha rotina, nas minhas decisões, no meu sono ou no meu apetite.
a pessoa começou. eu ouvi. e em algum momento ela perguntou se eu tinha ficado sabendo de tal coisa.
eu disse que não.
e acrescentei, com toda a gentileza disponível, que também não achava muito relevante.
ela continuou. ou talvez tenha concluído. honestamente eu não tenho certeza. porque em algum momento o meu cérebro tomou uma decisão executiva de não alocar mais recurso naquele assunto e eu ouvi o restante com aquele processamento mínimo de quem está presente no corpo mas ausente no conteúdo.
quando terminou, eu disse: hm, é.
dois sons. uma vírgula. o fim. a pessoa do outro lado esperando uma reação e recebendo o equivalente verbal de uma parede branca. lisa. sem janela. sem porta. sem nada.
e não foi frieza, não foi julgamento, não foi superioridade moral de quem acha que está acima da fofoca. foi só a resposta honesta de quem genuinamente não tinha mais nada a acrescentar porque genuinamente não ligou.
zero. nenhum. nada.
eu penso muito sobre onde eu coloco minha energia mental. não porque sou organizado ou disciplinado, que quem me conhece sabe que não sou. mas porque energia é finita. atenção é finita. aquela capacidade de se importar com as coisas tem um limite diário, e eu prefiro gastar o meu em coisas que me dizem respeito, que me afetam, que fazem alguma diferença no meu dia ou na vida de alguém que eu amo.
fofoca de pessoa que não é do meu círculo sobre assunto que não me toca? não entra na lista.
e não é que eu seja virtuoso nisso. não é que eu tenha feito um trabalho espiritual profundo sobre desprendimento e ego. é mais simples do que isso.
é que eu genuinamente não ligo.
e “hm, é” é a tradução mais honesta que eu encontrei pra esse sentimento.
Deixe um comentário