dia 143/365.



acordamos tarde. tomamos café da tarde com a minha mãe, porque almoço já não cabia mais no horário. frio e chuva o dia inteiro.

passamos a tarde limpando a casa. eu e o john. eu ajudei, o que, eu sei, é informação que merece nota de rodapé. as pessoas que me conhecem vão querer ver foto, vão querer prova. eu juro que ajudei. dá pra acreditar ou não, fica a critério.

depois eu dormi mais um pouco. o john ficou com dor de cabeça e foi pra cama também. eu fui ao supermercado sozinho, com aquela calma específica de sábado chuvoso, em que o supermercado fica meio vazio e você anda pelos corredores com uma sensação quase contemplativa, escolhendo coisa que nem precisa.

de noite eu aprendi a fazer brodo italiano de verdade. dos antigos, daqueles que pedem horas e paciência e que, no fim, recompensam quem esperou. ficou maravilhoso. a nica jantou com a gente em casa. não sobrou nada. nem uma colher. e isso, em culinária, é o maior elogio que existe.

foi um dia comum, sabe? apesar de eu ter ajudado a limpar a casa e isso poderia ter rendido algum prêmio, tipo um oscar de ator coadjuvante. mas era exatamente o que eu estava precisando depois dessa montanha russa que foi a minha semana. eu sei que a vida é um verdadeiro hopi-hari de emoções. um parque de diversões vivendo uma eterna noite do terror. mas cansa, né? passamos a vida procurando uma estabilidade, uma calma que a cada dia, a cada ano que passa, eu vou sendo levado a acreditar que nem existe. então ter um sábado que varia entre limpar casa, cozinhar, jantar em família, é quase um banho de normalidade que eu já tinha até perdido da memória. e isso traz um alívio que, apesar de não ser exatamente um descanso do corpo, descansa a alma o suficiente pra aguentar mais um pouco.


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