dia 145/365.



acordei com dor de cabeça. de novo. ultimamente isso virou quase uma constante, dessa dorzinha discreta que não te derruba, mas não te deixa em paz. tipo um zumbido de fundo no dia inteiro.

uma preguiça monumental também. sono difícil de cortar, cama difícil de soltar, casa difícil de sair. foi um daqueles dias em que cada movimento parece exigir negociação prévia. levantar, negociar. tomar banho, negociar. sair, negociar. e eu já cansei dessas reuniões internas, sinceramente.

resolvi mudar o meu instagram inteiro. não foi um impulso, foi decisão pensada. eu sentei, analisei, vi número, vi alcance, vi engajamento, e cheguei naquela conclusão que dói um pouquinho de admitir: não estava funcionando. não estava dando o resultado que eu queria, não estava me levando pra onde eu queria chegar. e segurar uma coisa que não funciona, só porque você gastou tempo construindo, é uma armadilha que muita gente cai e demora pra perceber.

e eu fico pensando o quanto a gente faz isso na vida.

quantas vezes a gente tem essa sensação de estar nadando, nadando, nadando, e nunca chegar à praia? você se mexe, você se esforça, você cumpre todas as braçadas que ensinaram, e quando você levanta a cabeça pra ver onde está, a praia parece exatamente na mesma distância de quando você começou. ou pior, mais longe. porque a correnteza foi levando, sem você perceber, pra um lugar diferente.

a maioria das pessoas, quando descobre isso, faz a pior coisa possível: continua nadando do mesmo jeito. mais força, mais determinação, mais esforço. como se o problema fosse a intensidade, quando, na verdade, o problema é a direção. e nadar com mais vontade na direção errada só te deixa mais cansado no mesmo lugar errado.

eu acho que tem uma coragem específica em parar e mudar. em olhar pra uma coisa que você construiu por anos e admitir: não tá funcionando. não como eu queria. e ter que recomeçar, mesmo com a cabeça doendo, mesmo com a preguiça gritando, mesmo com a parte dentro de você que adora um plano antigo só porque é antigo.

mudei o instagram. é uma coisa pequena, em escala de vida. mas é uma coisa.

às vezes a gente precisa começar exatamente por aí. pela coisa pequena que cabe na agenda de hoje. pra começar a praticar o gesto de soltar o que não tá levando a lugar nenhum.

a praia continua lá. mas talvez seja hora de mudar de rota.


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