
fiz o que deu.
essa frase podia soar como derrota. e em alguns dias, soa mesmo. mas hoje não. hoje ela soou como vitória. pequena, silenciosa, daquelas que ninguém vê e que não cabem em legenda de instagram. mas vitória.
a semana foi pesada. empresa bloqueada, problema em cima de problema, decisão difícil, conta pra pagar, coisa pra resolver que não tinha resolução bonita. e eu fui, todo dia, fazendo o que dava. sem glamour, sem discurso, sem a energia de quem está no auge. só fazendo.
e sexta chegou.
eu fiquei até mais tarde no trabalho. não porque eu queria, mas porque precisava. e quando eu saí, eu me senti bem. não aliviado no sentido de peso saindo, mas bem no sentido de que eu ainda estava de pé. de que a semana tinha passado por cima de mim e eu tinha passado por cima dela também. empatou. e empate, depois de uma semana assim, é resultado de respeito.
eu precisava dessa sexta. precisava de pausa. precisava de um momento em que ninguém me pedisse decisão, solução, posição. em que eu pudesse simplesmente existir sem precisar entregar nada.
e eu fico pensando, às vezes, no quanto a gente subestima essa coisa de fazer o que dá. a gente foi criado pra glorificar o extraordinário. o herói que vence a batalha com um golpe certeiro. a virada épica. o momento em que tudo se resolve de uma vez e a música sobe. mas a vida real, a maioria das vezes, não tem trilha sonora. ela tem só você, sozinho, fazendo o que dá, num dia que ninguém vai lembrar, numa semana que não vai virar história.
e mesmo assim, conta.
conta porque é real. conta porque exige. conta porque, se você parar pra olhar de trás, a soma de todos esses dias em que você fez o que dava é exatamente o que te trouxe até aqui. não foi o dia grandioso. foi a terça ordinária. foi a quarta difícil. foi a quinta que você não queria nem contar. foi essa sexta que chegou e que você recebeu com a gratidão quieta de quem sobreviveu mais uma semana.
eu estou aqui. a empresa está funcionando. as pessoas que dependem de mim têm o que precisam. e eu, nessa sexta-feira de maio, me sinto bem.
às vezes é tudo o que precisa ser.
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