dia 150/365.



acordamos. tomamos café. o john tinha combinado de limpar a casa com a irmã dele. daquelas limpezas sérias, com água, esfregão, a casa inteira. e eu tinha toda a intenção de ajudar, juro que tinha.

mas a dor de cabeça chegou antes de qualquer intenção minha virar ação. tomei remédio. deitei. e basicamente dormi o dia inteiro.

acordei atrasado pra buscar minha mãe, corri, resolvi. de noite fiz o brodo de novo. aquele mesmo da semana passada que tinha ficado tão bom. e ficou bom de novo. talvez eu tenha aprendido de verdade. tem algo satisfatório nisso, na repetição que vira habilidade sem você perceber direito quando aconteceu.

e é engraçado pensar que hoje, no dia 150, que é um número redondo, um marco, eu não fiz nada de especial. dormi a maior parte do dia, fiz uma sopa e busquei minha mãe.

mas cento e cinquenta dias. cento e cinquenta vezes em que eu sentei e escrevi alguma coisa, mesmo quando não tinha nada, mesmo quando estava no fundo, mesmo quando estava com dor de cabeça e vontade de não fazer absolutamente nada.

talvez seja isso que vale registrar hoje. não o que aconteceu, mas o fato de que eu continuo aqui. escrevendo. mesmo nos dias em que o corpo manda parar.


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