dia 153/365.



o john fez 30 anos hoje.

e eu fiquei observando ele ao longo do dia com aquela mistura estranha de carinho e nostalgia que só a gente sente quando alguém que ama chega num lugar que a gente já passou. trinta anos. eu lembro dos meus como se fosse recente, e ao mesmo tempo parece que foi em outra vida.

a vida não parou por conta do aniversário, claro. nunca para. teve trabalho, teve coisa pra resolver, teve o dia acontecendo do jeito que os dias acontecem independente de qualquer data no calendário. mas no meio de tudo isso, ele estava lá, fazendo trinta, e eu estava aqui, tendo feito quarenta faz pouco, olhando pra ele com uma ternura que eu não sei explicar direito.

trinta é um número com peso. diferente do quarenta, que pesa de um jeito mais sólido, mais definitivo, o trinta pesa de um jeito mais confuso. é aquela idade em que a sociedade começa a esperar coisas de você de forma mais séria, mais concreta. como se os vinte fossem um ensaio e os trinta fossem a estreia. e você olha pra trás, pros seus vinte, e pensa: foi tão rápido. e olha pra frente, pros seus quarenta, e pensa: ainda tem tanto.

mas tem uma coisa curiosa sobre os trinta hoje. eles não são mais o que eram pra geração anterior. quando meu pai tinha trinta anos, provavelmente já tinha casa, filho, vida estruturada, plano definido. hoje em dia, trinta é quase uma extensão dos vinte, só com mais consciência e menos energia pra fingir que está tudo bem quando não está. as pessoas aos trinta ainda estão descobrindo o que querem. ainda estão errando. ainda estão montando e desmontando versões de si mesmas.

e eu acho isso lindo, sinceramente. não como consolação, mas como evolução real. a gente está levando mais tempo pra crescer porque está crescendo de forma mais honesta. menos fórmula, mais processo. menos marco social, mais construção interna.

o john aos trinta é alguém que eu tenho o privilégio de conhecer bem. e eu vejo nele uma clareza sobre quem ele é que muita gente não tem nem aos quarenta. ele sabe o que quer, sabe o que não aceita, sabe onde está e pra onde está indo. e isso, aos trinta, é mais raro do que parece.

eu queria ter dito isso pra ele de uma forma eloquente, com as palavras certas, num momento bonito e cinematográfico. mas a vida real não funciona assim. a gente diz essas coisas nas entrelinhas, no olhar, no cuidado do dia a dia. nas coisas pequenas que só fazem sentido pra quem está dentro.

mas se eu pudesse dizer alguma coisa sobre os trinta, daqui dos meus quarenta, seria isso: não tente resolver tudo agora. não se cobre tanto por não ter chegado onde achava que devia estar. os trinta são menos sobre conquistar e mais sobre entender. sobre descobrir o que realmente importa pra você, não o que importa pra todo mundo ao redor. sobre começar a soltar as expectativas que nunca foram suas pra começo de conversa.

e sobre aprender, aos poucos, que a vida não tem roteiro. tem direção. e que mudar de direção não é fracasso, é sabedoria.

feliz aniversário, jô. trinta anos bem vividos, com muito mais pela frente.


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